Era tarde de
novembro, chovia muito, ela estava sentada na janela de seu apartamento ouvindo
aquela canção que lembrava os momentos mais lindos que passaram juntos, aquelas
noites de inverno, jantar a luz de velas, vinho na lareira, tinta a óleo e
sombras nas paredes.
No baú ainda
havia algumas fotografias e cartas que ela não se desfizera e nem tinha certeza
se um dia conseguiria.
A noite cai, em
meio aos discos antigos, alguns cigarros, uma garrafa de uísque barato,
relembra alguns vícios, faz uso de alguns deles.
Sentia como se
tivessem lhe arrancado um pedaço, faltava algo dentro de si, um vazio que não
podia preencher, não suportava mais viver aquela solidão do seu apartamento
mudo, não tinha mais risos, a velha vitrola não tinha mais o mesmo som.
Ligou o antigo
toca disco com a trilha sonora que tinha escolhido pra sempre ser a dos dois.
Acendeu mais um
cigarro.
Fez uma ligação:
- Alô
- Só liguei pra
dizer que te amo.
AS.











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