Fico com uma pulga atrás da
orelha toda vez que a gente se encontra. Será que o seu corpo também adormece
toda vez que o nosso olhar se acha no meio de tanta gente por acaso? Porque, cá
entre nós, quando o seu olho cruza com o meu, tudo perde um pouco do sentido. A
respiração para, literalmente. Tudo para, menos a vontade de você. A gente deu
o que tinha que dar, aceito, mas não me conformo. Sempre
tive vontade de ter mais, de te conhecer mais, de ser mais do que a gente foi.
Queria saber qual a sua cor predileta e se pela manhã você acorda de mau humor,
sabe? Foi tudo muito intenso e rápido, a gente passou e eu nem me dei conta.
Cada um partiu pra outra e o coração parece que ficou partido pelo outro não
ser você, sempre achei estranho. Não tô falando de amor, nem de nada muito
forte, mas sei lá, sempre quero mais do que eu tenho e queria ter tido mais de
você. Não sei se dá pra entender, mas sinto falta de todas as possibilidades de
ser o que não fomos. Sinto falta de um futuro que não chegou nem perto de
existir. Toda essa probabilidade matemática de ''quantos jantares em família
eles teriam ido se tivessem sido mais do que um casinho passageiro'' faz a
minha pulga saltitar aqui no ouvido, me mata, sinceramente. Impossível não
pensar se você não pensa o mesmo. Eu sei que tenho mania de dar importância pro
que não vê importância em mim, mas a gente não foi qualquer coisa. Foi
importante, eu sei e também sei que você sabe. Só queria saber se vez ou outra,
quando a gente se esbarra, você também não se imagina do meu lado, de mãos
dadas, esbarrando em outras pessoas só pra me proteger. Queria saber se você
não se imagina sendo meu, comigo sendo sua e em como seria se todo esse mundo
fosse nosso - só de nós dois.
AS.






























